Na panela de pressão da final, Santander Bairro FC busca empate e conquista Taça SindBancários de Futebol Sete com vitória nos shootout

Foi um jogo equilibrado. Se dissermos apenas isso da final da Taça SindBancários de Futebol Sete 2016, categoria livre, contaremos uma parte muito pequena do  grande jogo, do clássico, que se viu na manhã do sábado, 26/11, entre Santander Bairro FC e Bradesco FC, na Arena Sports PoA. O placar de 1 a 1 no tempo normal dá a dimensão do equilíbrio. A vantagem do Santander Bairro FC veio nas cobranças de shootout por 2 a 1. Os colegas do Santander Bairro FC levaram a taça porque acreditaram sempre e jamais desistiram. Na decisão de terceiro e quarto lugares, melhor para o Bradesco Gravataí que venceu a APCEF/Caixa por 3 a 1.

Os gols foram marcados um em cada tempo. O Bradeco FC saiu na frente. Mas antes de contar o primeiro gol, vamos conversar sobre predomínios territoriais, posses de bola, ataques e contra-ataques. A narrativa que vem a seguir vai dar conta de um jogo eletrizante. Nos primeiros minutos da etapa inicial, a disputa era sobre imposição de estilo de jogo. O Bradesco FC procurava impor seu toque de bola, o característico tic-tac envolvente, matreiro. Tem momentos que o Bradesco FC parece não querer nada com o jogo, e então um de seus jogadores aparece na frente do goleiro adversário a ponto de mandar a bola para as redes.

O Bradesco FC não teve essa facilidade toda. Seu jogo estava picotado pela força da marcação do Santander Bairro FC. E, em se tratando de futebol sete, o ataque de um time, a perda de um gol pode significar um contra-ataque mortal e a perda de todo o jogo. Pois jogo esteve assim. Bloqueado de lado a lado. Pegado como deve ser. A vantagem era de quem conseguisse levar a bola mais longe de sua meta ou o mais perto possível da meta adversária. Pequena vantagem para posse de bola do Bradesco FC.

Veja aqui as fotos da final e da decisão de 3º e 4º lugares.

Se, de um lado, ouvíamos o urro (uuuu) do defensor Marcelo Oliveira, do Santander, ao executar mais uma perfeita antecipação de bola sobre um atacante adversário, do outro, acompanhávamos as tentativas do canhoto Otávio de se livrar da marcação e arriscar um chute de média distância. O Bradesco FC golpeou a defesa do Santander por duas vezes e ensaiou uma pressão. Marcação alta dificultava a saída do Santander, que buscava saída pelos corredores um na força do meia Victório “El Tanque” Santi e do atacante Raphael Saraiva.

E o jogo andava. Ou melhor corria em alta velocidade. Até que Otávio mandou uma bomba de longe que exigiu do goleiro Rodrigo Miguel uma defesa difícil para escanteio. Logo em seguida, Maikon avança pela esquerda e cruza. Fabio Campos apara de chapa a bola que passa raspando a seguir. Otávio de novo desceu pelo meio e mandou de canhota uma bola que passou à esquerda.

Chance mesmo o Santander Bairro FC foi ter em cabeçada de Raphael Saraiva que exigiu voo do goleiro Maurício seguido de tapa a escanteio. Mas a chance que o Bradesco FC teve mais clara até então no primeiro tempo foi aquela que se originou da cobrança de uma falta. A bola saiu saltitante e encontrou o atacante Fernando, desviou-lhe nas pernas e foi se chocar contra a trave. No momento de supremacia do Bradesco FC, Douglas Appelt avançou com bola dominada pela direita e cruzou forte. A troviscada na área quase fez Victorio “El Tanque”, do Santander,  mandar a bola contra o próprio patrimônio.

O Bradesco trabalhava bem a bola, mas em dois passes errados da sua defesa, o Santander Bairro FC quase abriu o placar. Saraiva entrou cara a cara com Mauricius e, na hora de chutar, foi bloqueado por defensor do Bradesco. No outro lance, chute forte ficou bloqueado na zaga do Bradesco. Vibração dos defensores!

O contra-ataque que havia deixado o Santander muito próximo de seu gol foi a arma usada pelo Bradesco FC para abrir o placar. Aos 19 minutos do primeiro tempo, o Bradesco FC fez a transição da defesa para o ataque como quem não quisesse nada e tivesse a certeza de chegar à meta adversária. A bola havia sido roubada na intermediária de defesa. Chegara ao muito habilidoso Gerson e fora atravessada para Maikon. Na linha da área pelo lado direito e, de pé esquerdo, Maikon teve o trabalho de deslocar o goleiro Rodrigo Miguel e dar transformar em gol a vantagem que o Bradesco FC tinha em número de conclusões.

A arte de sufocar o adversário

No livro “A Arte da Guerra”, o estrategista chinês Sun Tzu alerta para um perigo. Quando um adversário está acossado, praticamente vencido e sem saída, ele pode multiplicar suas forças por dois para ganhar posição e fugir. E, nessa fuga, pode deixar muitas baixas de rastro. A segunda etapa, de certo modo, contraria a tese do estrategista chinês do clássico livro lido por muitos treinadores de futebol.

O Santander Bairro FC adotou a tática do sufoco. Precisava do empate de qualquer jeito. Se fosse uma luta de MMA, o Santander FC procurava a imobilização, um mata-leão para que o Bradesco FC pedisse arrego. O segundo tempo foi de pressão total do Santander. Na primeira falta da segunda etapa, a cobrança foi feita para Victorio “El Tanque” Santi. Ele recebeu a bola rolada pela esquerda, avançou e foi acompanhado por Fabio Campos do Bradesco FC. Na linha de fundo, os dois se enroscaram.

“El Tanque”, caído, alcançou a perna do adversário com um chute. A confusão se armou. Jogadores do banco de reservas dos dois times correram. Empurrões de lado a lado foram trocados. Teve até participação de torcida organizada que estava fora da quadra. A turma do “deixa-disso” apaziguou depois que Victorio “El Tanque” e Fabio Campos foram expulsos.

Restabelecidos os ânimos e baixada a poeira da confusão, o jogo foi retomado com um novo espírito. O Bradesco FC voltou a imprimir seu toque de bola. Saiu das cordas. Num dos lances, o atacante Fernando fez o pivô na frente e encostou para Gerson que bateu forte para fora. A bola raspou o gol de Rodrigo Miguel.

Este foi o lance mais perigoso do Bradesco FC na segunda etapa. Daí para diante, o Santander Bairro FC não só passou a ter domínio territorial, como começou a concluir perigosamente ao gol de Mauricius. Bruno Titton e Rafael Fróes eram os iniciadores das jogadas. O técnico Ronaldo Gonzales orientava-os a roubarem a bola e arremeterem na direção do gol adversários. Os dois defensores eram os guardiões da defesa do Santander Bairro FC. Abertos pelos lados, trocavam bolas e empurravam o time à frente. Sem a bola, jogavam juntos e matavam os contra-ataques do Bradesco FC na linha divisória. E ainda iam a frente e concluíam a gol. Numa das conclusões, Titton avançou pela direita e mandou um chute cruzado, obrigando o goleiro Mauricio a mais um voo para catar firme.

Que jogo, senhoras e senhores. De novo nas cordas, o Bradesco FC não conseguia avançar sobre a quadra adversária. Os gritos do técnico Allan Soares não conseguiam tirar o time da defesa. A artilharia pesada do Santander avançava sobre as linhas de defesa do acuado Bradesco. As conclusões eram um efeito certo do sufoco. Rafael Fróes levou perigo ao avançar pela esquerda e desferir de bico um chute que triscou a trave de Mauricius.

O jogo enveredou para o final. O desespero começou a tomar conta dos colegas do Santander Bairro FC. Encurralados, os colegas do Bradesco FC esperavam uma saída para um contra-ataque mortal. Até que aos 18 minutos, Antonio Sarotri Jr. recebeu a bola da cobrança de uma lateral. Pela esquerda ele deu um toque e ela quicou. O chute de peito do pé não saiu muito forte. Mas tinha a direção do gol. Antes que o goleiro Mauricius pudesse interceptar, a bola desviou em um de seus defensores. O suficiente para ganhar as redes e fazer a festa da galera do Santander Bairro FC fora de quadra.

Antonio Sartori Jr. botou a camisa em seu rosto. Correu sem destino pela quadra. Foi abraçado pelos colegas. Nascera o empate depois de um parto difícil, de um longo frenesi de guerreiros esmurrando a chutes e passes o muro da fortaleza do Bradesco FC. Nas cobranças de shootout, o goleiro Rodrigo Miguel brilhou. Defendeu duas cobranças. Seu time marcou duas vezes e decretou a vitória por 2 a 1. Era tempo de comemorar, levantar a taça e cantar: “O campeão voltou. O campeão voltou”! O Santander Bairro FC dava o troco do ano anterior em que o Bradesco vencera o título no tempo normal por 3 a 2 com um gol no último minuto de jogo. Desta vez, o Santander não buscou somente o empate, mas também a Taça SindBancários de Futebol Sete 2016.

Decisão 3º e 4º lugares

O jogo entre Bradesco Gravataí e APCEF/Caixa pode ser contado a partir da troca de supremacias em quadra. Os colegas do Bradesco Gravataí começaram melhor. Defesa fortalecida e rápidos contra-ataques são a característica marcante do time de amarelo dos colegas de Gravataí. Nas primeiras investidas, o Bradesco FC fazia a bola rodar de pé em pé. Gabriel Macedônia partia com ela de trás, achava Wendell. A jogada fluía então até terminar em conclusão de Beiço, Felipe Freitas ou Rafael Eltz.

A APCEF/Caixa respondia com a força do defensor Lucas Peter, a mobilidade de Diego Ferron e Yuri até a bola chegar no japa bom de bola Jefferson Abe. Depois de um primeiro momento de supremacia do Bradesco Gravataí, a Apcef/Caixa passou a ocupar mais a quadra adversária. As linhas avançaram e provocaram erros dos colegas do Bradesco Gravataí. O Bradesco Gravataí ficava mais com a bola, as conclusões eram mais perigosas, mas, até abertura do placar, cada time tinha quatro conclusões.

O Bradesco Gravataí então fez o que sabe bem aos oito minutos. Ir ganhando casas aos poucos. A bola circulou por quase todo o time desde a intermediária. A troca de passes ganhou velocidade na intermediária adversária e chegou num passe em que pegou Felipe de Freitas em deslocamento diagonal. Quase de frente para o goleiro Elias, ele desviou para fazer 1 a 0. O time de amarelo e preto parecia que ia definir logo o jogo. Wendell avançou pela direita, deu um drible de corpo no adversário e bateu. A bola passou perto.

Daí em diante, a APCEF/Caixa reagiu. Os jogadores deixaram os nervos no lugar e assumiram uma tática de dupla vantagem: ficar com a bola e trocar passes impedem que o time leve gols e aumenta as chances de fazê-los. O Bradesco Gravataí aceitava a pressão e procurava sair nos contra-ataques. Ficou nas cordas por um tempo até que Lucas Pavan fez a volta no adversário em jogada individual e bateu na rede pelo lado de fora do gol da APCEF/Caixa.

O primeiro tempo escorria por entre os dedos dos colegas da APCEF/Caixa quando aos 18 minutos uma jogada rápida pela esquerda combinou troca de passes entre Jefferson Abe e Davi Goulart. No um-dois da APCEF/Caixa, a bola se ofereceu para Yuri de Oliveira. Ele desferiu um chute alto e não muito forte. O goleiro Elias tentou segurar firme, mas a bola escapou-lhe pelas mãos e foi morrer na rede. E o primeiro tempo terminava com um honroso e corrido empate em 1 a 1.

Os colegas da APCEF/Caixa voltaram para a segunda etapa dispostos a resolver logo a parada. Logo de cara, quatro chances de gol demonstraram a vontade. Leonardo bateu forte para a defesa de Elias a escanteio. Após cobrança de lateral Guilherme Hernandez (o goleador do campeonato) perdeu chance clara em chute de dentro da área para fora. Jeferson Abe, em um belo chute de virada, obrigou Elias a defesa difícil a escanteio. No lance seguinte, Elias encaixou firme uma falta, batida direta pelo lado da barreira da intermediária.

A blitz da APCEF/Caixa terminou com uma baita jogada do Bradesco Gravataí. A trama da lateral para o meio terminou em triangulação. No vértice do triângulo, Gabriel Macedônia desferiu um chute fortíssimo para defesaça do goleiro João Egídio. Na jogada seguinte, aos 12 minutos, o tic-tac do Bradesco Gravataí alternou-se com as trocas rápidas de posição. Até que Tibuyrsky bateu forte na trave. No rebote, Felipe de Freitas marcou o seu segundo na partida e o 2 a 1 para o Bradesco Gravataí.

A APCEF/Caixa sentiu o gol. O Bradesco Gravataí aproveitou a tonteira para nocautear de vez o time adversário. Em mais uma rápida troca de passes, a bola chegou ao pé de Wendell, que, de primeira, acionou o centroavante Beiço. Este, como centroavante de ofício, usou o corpo, fez a parede e de virada bateu forte. A bola tocou na trave e se ofereceu, no rebote, para o próprio Beiço que, de canhota, mandou para as redes. A APCEF/Caixa não desistiu. Chegou, com Leonardo,a mandar uma bola na trave. Mas já era tarde. O Bradesco Gravataí ficaria com a terceira colocação.

Campeão: Santander Bairro FC

 

Vice-campeão: Bradesco FC

Terceiro lugar: Bradesco Gravataí

Quarto lugar: APCEF/Caixa

Defesa menos vazada: Bradesco FC (6 gols). Goleiros: Mauricius e Thiago.

Goleadores: Guilherme Hernandez (APCEF/Caixa) e Raphael Saraiva (Santander Bairro FC)

Troféu far-play: Bradesco FC

Crédito fotos: Jackson Zanini

Fonte: Imprensa SindBancários

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