Presidente do Banrisul promete novo processo de migração em 2016 na Fundação e concurso público até o final deste ano

Depois de 128 dias, o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, finalmente recebeu dirigentes s do SindBancários e da Fetrafi-RS para uma conversa sobre problemas e perspectivas de atendimento de demandas históricas dos Banrisulenses. Por 2h40min, na tarde da quinta-feira, 13/8, dirigentes cobraram medidas relacionadas ao ambiente de trabalho, à cobrança de metas e precarização do atendimento nas agências. Os dirigentes também cobraram a abertura do novo processo de migração na Fundação Banrisul (FRBSS) e concurso público urgente.

Luiz Gonzaga se mostrou receptivo ao atendimento das demandas e se comprometeu a realizar a nova migração na Fundação Banrisul no primeiro semestre do ano que vem. O concurso público, segundo ele já está em andamento. O presidente do Banrisul também ficou de dar uma resposta ao estabelecimento de um calendário de negociação durante a Campanha Salarial. Os dirigentes fizeram uma ressalva em relação ao calendário de migração.

Os dirigentes sindicais disseram que ainda irão consultar a base para saber se os Banrisulenses estão de acordo com a proposta do presidente. A reunião na Sala da presidência, quarto andar da DG, foi de cobrança por parte dos representantes dos Banrisulenses. Luiz Gonzaga apresentou-se de forma cordial. Como é costume entre banqueiros e dirigentes no sistema financeiro, reclamou da conjuntura econômica e mencionou a palavra crise logo no início do encontro. Disse que era “um prazer receber os dirigentes”.

A resposta do diretor da Fetrafi-RS, Carlos Augusto Rocha, foi de pronto. “Embora tardiamente o senhor está nos recebendo. Estamos vendo as relações de trabalho nas agências do Banrisul se deteriorarem. O ambiente de trabalho está ficando ruim por causa da precarização, com redução do número de caixas e aumento de filas. Questões como esta já poderiam ter sido encaminhadas se a diretoria do Banco tivesse nos recebido há alguns meses”, sentenciou Rocha.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, comentou casos de Banrisulenses da ativa, aposentados e afastados por doença, que estão sofrendo muito por terem perdido o prazo da primeira migração e que o processo precisa ser realizado junto à Fundação Banrisul com urgência. “A nossa preocupação é com a vida das pessoas. É preciso urgência porque as pessoas estão correndo alto risco de perder a aposentadoria. Tem colegas que estão abrindo mão da aposentadoria por estarem pagando um valor muito alto e não têm condições de esperar mais”, explicou.

Neste momento, Luiz Gonzaga, que estava assessorado por Gaspar Saikoski, Superintendente Executivo da Unidade de Gestão de Pessoas, disse que o banco já está realizando estudos de impacto financeiro junto à Fundação Banrisul e que pretende abrir ainda este ano um novo processo de negociação em uma comissão tripartite (formada por representantes sindicais, da Fundação e do Banco) para estabelecer critérios técnicos e iniciar a abertura de nova migração. “A ideia é abrir prazo em janeiro, inclusive um prazo maior de migração para dar tempo. A escolha de janeiro é pelo efeito fiscal. É o melhor mês. O processo será aberto este ano para efetivar a migração em janeiro”, disse o presidente do banco.

Plano de Carreira

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, lembrou da história de negociação que envolveu a criação da proposta de Plano de Carreira durante quatro anos em um Grupo de Trabalho formado por representantes do banco e dos Banrisulenses. “Foram quatro anos de trabalho para construirmos uma proposta realmente representantiva de Plano de Carreira. Fizemos seminários, assembleias e cumprimos todas as etapas. Esperamos um compromisso com a implantação que contemple a participação dos dirigentes sindicais. Porque, desta vez, o processo não será tão demorado. Já temos um ponto de partida”, avaliou a diretora.

Luiz Gonzaga não firmou a palavra com prazos. Chegou a falar em segundo semestre. Ouviu dos outros dirigentes que o Plano de Carreira é muito bom para os funcionários e para o banco. “Hoje a estrutura de comissionamento e de promoção é uma fábrica de passivos judiciais para o banco. O Plano de Carreira é uma pauta importante para o banco e para os funcionários. Precisamos retomar o Grupo de Trabalho e implementar. O Plano de Carreira vai deixar os funcionários mais satisfeitos e mais motivados”, disse a diretora de comunicação do SindBancários, Ana Guimaraens.

Luiz Gonzaga disse que há uma disposição do banco em negociar o Plano de Carreira, mas preferiu não estabelecer prazos de negociação e implantação. Os dirigentes sindicais lembraram que o Plano de Carreira já poderia estar sendo negociado para que houvesse tempo de levar uma proposta a assembleias e explicar detalhadamente as regras de promoção por tempo, por merecimento e os critérios de reajustes das várias fases de promoção (como steps e interstício).

Concurso público

O presidente Luiz Gonzaga garantiu que novo concurso público será realizado até o final do ano. O processo estaria em fase final de construção do edital de chamada pública. Os dirigentes sindicais disseram que estarão atentos aos movimentos do banco e cobrarão celeridade no processo.

Privatização do banco

Se a ameaça de privatização do Banco pelo governo Sartori depender da promessa do presidente do Banrisul, os Banrisulenses e os gaúchos têm tudo para ficarem tranquilos. Luiz Gonzaga foi peremptório e enfático. Ele disse aos dirigentes sindicais que “não existe esta hipótese”. Os dirigentes disseram que vão continuar atentos aos movimentos políticos na Assembleia Legislativa e aos Projetos de Lei do Governo Sartori que possam derrubar a cláusula da Constituição Estadual que estabelece que venda de qualquer patrimônio público só deve ser feita mediante plebiscito.

GMD

O diretor Gaspar Saikoski disse que o fechamento de caixas em agências obedece a dados técnicos. Segundo ele, há 1.881 caixas no Banrisul. Luiz Gonzaga deu mais detalhes. Disse que o fechamento de caixas ocorre porque há muita demanda em períodos de pico (do dia 30 do mês anterior até o dia 15 do mês seguinte) e que nos outros dias há redução por conta da ociosidade, queda do número de clientes. O presidente também disse que, nos centros de maior atendimento, haverá abertura de novas agências. Os dirigentes sindicais argumentaram que, nas agências, está chegando a ordem de reduzir caixas para atingir metas de redução de custos (GMD). Que há muita reclamação por causa de filas, pelos clientes, inclusive com denúncias ao Sindicato, o que prejudica a imagem do Banrisul.

Obras nas agências

O caso da agência do Banrisul de Viamão foi lembrado pelos dirigentes como um absurdo. Lembrando que, na segunda-feira, 10/8, a agência de Viamão amanheceu cheia de poeira de demolição, sem condições de ser aberta, e os dirigentes do SindBancários a fecharam e dispensaram os trabahadores. Luiz Gonzaga disse que estava ciente do caso e que uma agência em obras não pode abrir. “Não dá para fazer obra em agência assim. Se for fazer a obra, tem que alugar outro local.”


Calendário de negociação da Campanha Salarial

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, fez um histórico das últimas Campanhas Salariais e ilustrou uma prática da diretoria do Banco durante a fase de negociação. A primeira parte, disse Gimenis, era de enrolação por parte dos representantes do banco porque esperavam o fechamento de uma proposta concreta da Fenaban na mesa nacional. No entanto, há questões na minuta específica do Banrisul que não envolvem valores e que podem ser tratadas com um calendário bem definido.

Fonte: Imprensa SindBancários

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